Marco Rubio coloca Brasil no mesmo grupo de Cuba, Venezuela e Nicarágua durante audiência no Congresso dos EUA

Marco Rubio colocou o Brasil no grupo dos países que não integram o atual bloco de aliados estratégicos de Washington no Hemisfério Ocidental, ao lado de Cuba, Venezuela e Nicarágua. A fala ocorreu nesta terça-feira (2), durante uma audiência no Congresso americano.
Ao defender que a América Latina vive hoje um momento de aproximação com os Estados Unidos, Rubio afirmou que a região está “cheia de aliados” e de governos amigáveis aos interesses americanos. Em seguida, porém, fez uma lista de exceções – e incluiu o Brasil entre elas.
“Com exceção da Nicarágua, com exceção de Cuba, obviamente com exceção da Venezuela (…), e claro, do Brasil, embora eles estejam no meio de um ciclo eleitoral (…), de modo geral agora é uma região cheia de aliados dos Estados Unidos, líderes amigáveis aos EUA e uma direção favorável à América.”
A declaração chama atenção porque coloca o Brasil na mesma relação de países frequentemente criticados por Washington por seu distanciamento político dos Estados Unidos. Embora Rubio tenha citado o atual ciclo eleitoral brasileiro como um fator de contexto, a mensagem transmitida foi clara: o governo brasileiro não é visto hoje pela principal autoridade diplomática americana como parte do grupo de países alinhados aos interesses estratégicos dos EUA na região.
Recado direto a Brasília
A fala representa um dos posicionamentos mais duros já feitos por um integrante de alto escalão do governo americano em relação ao Brasil desde o início da atual administração brasileira.
Ao elogiar a maioria dos governos latino-americanos e separar nominalmente Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua desse grupo, Rubio sinalizou que Washington vê Brasília mais distante de sua agenda regional do que seus principais parceiros continentais.
O secretário também afirmou que os Estados Unidos precisam recuperar espaço na América Latina após duas décadas de “negligência”, período que, segundo ele, permitiu o avanço da influência chinesa no continente. Na visão de Rubio, o fortalecimento de governos alinhados aos EUA é parte fundamental dessa estratégia.
Escalada de atritos
A declaração ocorre em meio a uma sequência de episódios que vêm aumentando a tensão entre Washington e Brasília.
Nos últimos dias, Rubio já havia endurecido o discurso contra o Brasil ao defender medidas relacionadas ao combate ao crime organizado transnacional e ao ampliar críticas à condução de temas considerados estratégicos pelos Estados Unidos.
Agora, ao mencionar o Brasil ao lado de regimes historicamente apontados pelos EUA como problemáticos na região, o secretário eleva o tom do embate diplomático e expõe publicamente o desconforto da Casa Branca com os rumos da relação bilateral.
Sinal político em ano pré-eleitoral
Outro trecho que chamou atenção foi a referência explícita ao processo eleitoral brasileiro.
Ao afirmar que o Brasil está “no meio de um ciclo eleitoral”, Rubio indicou que Washington acompanha de perto o cenário político brasileiro e considera que o resultado das eleições poderá influenciar o futuro da relação entre os dois países.
Na prática, a declaração foi interpretada por observadores em Washington como um recado político raro: os Estados Unidos enxergam hoje o Brasil fora do núcleo de governos considerados plenamente alinhados à estratégia americana para o Hemisfério Ocidental.
“É uma região cheia de aliados dos Estados Unidos”, afirmou Rubio. Brasil, Cuba, Venezuela e Nicarágua ficaram fora dessa lista. Quase simultaneamente, Rubio era alvo do presidente Lula, em um evento em Catalão (GO), inaugurando a nova sede do Instituto Federal Goiano (IF Goiano).
Lula usou um tom bem duro, chamando Rubio de “anti-América Latina” e “inimigo mortal” de Cuba e outros países da região. Ele também repetiu que já tinha reclamado disso diretamente com Trump.
“Ele (Rubio) é anti-América Latina, ele é o inimigo mortal de Cuba, é o inimigo mortal de vários países latino-americanos. Eu já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião que eu fiz com o Trump.”
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