Jogador do Bragantino é suspenso por 12 partidas por fala machista

Mar 5, 2026 - 13:00
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Jogador do Bragantino é suspenso por 12 partidas por fala machista

O Tribunal de Justiça Desportiva de São Paulo (TJD-SP) puniu, na quarta-feira (4), Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull Bragantino, com 12 partidas de suspensão – válidas apenas por torneios estaduais – e multas no valor total de R$ 30 mil. A decisão foi motivada pelas declarações do atleta contra a árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos no dia 21 de fevereiro (leia as declarações abaixo).

Na ocasião, o Bragantino perdeu por 2 a 1 para o São Paulo e foi eliminado do Campeonato Paulista. Após o término da partida, Gustavo Marques criticou a escalação da juíza e afirmou que a Federação Paulista de Futebol (FPF) não deveria “colocar uma mulher” para apitar o jogo, declarando que ela não tinha capacidade para a função em razão do seu gênero.

O jogador foi condenado com base em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD):

  • Artigo 243-G (ato discriminatório): punição de oito partidas de suspensão e multa de R$ 20 mil;
  • Artigo 243-F (ofensa à honra): punição de quatro partidas de suspensão e multa de R$ 10 mil.

Após o episódio ocorrido em fevereiro, o Red Bull Bragantino emitiu uma nota oficial para repudiar a atitude do zagueiro e informou que o atleta reconheceu o erro e pediu desculpas à árbitra ainda nas dependências do estádio. A Federação Paulista de Futebol também se manifestou em apoio à profissional e encaminhou o caso oficialmente para a Justiça Desportiva, o que resultou na condenação.

A Jovem Pan procurou a defesa do atleta, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

‘Não pode botar mulher para apitar’

Árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos, durante partida entre Bragantino x São Paulo

Árbitra Daiane Caroline Muniz dos Santos, durante partida entre Bragantino x São Paulo

Gustavo Marques disparou de forma agressiva contra a árbitra Daiane Muniz, após a derrota do Bragantino.

“Primeiramente agradecer a Deus pela oportunidade, pelo gol. Acho que nossa equipe sempre lutou. A gente não deixou de lutar em nenhum jogo, desde o primeiro jogo contra o Noroeste… a gente pecou hoje, tenho certeza disso. A gente tem de levantar a cabeça. A gente sabe que em três dias a gente já tem outros jogos do Brasileiro”, começou falando o defensor do Bragantino.

Em seguida, dirigiu-se diretamente à juíza, afirmando que o fato de ela ser mulher, não possuir a capacidade de apitar um jogo de semifinal do Paulistão. Além disso, segundo ele, a árbitra ainda teve uma atuação antiprofissional ao favorecer o clube do Morumbi.

“Mas, primeiramente, eu quero falar da arbitragem. Porque não adianta a gente jogar contra São Paulo, Palmeiras, Corinthians.. e eles colocarem uma mulher para apitar um jogo deste tamanho. Eu acho que ela não foi honesta pelo que ela fez. Eu acho que o São Paulo tem todo mérito, pela camisa, pela tradição que tem. Eu acho que ela puxou pra eles, porque independente da situação, o Red Bull é grande, mas pra ela o São Paulo foi melhor, foi maior.”

“Eu acho que esse jogo é critério dela, porque ela não foi mulher. A gente trabalha todo dia, a gente deixa família em casa .. irmão, pai, mãe, esposa, todo mundo, pra ela vir e acabar com o sonho. Era o sonho da gente chegar na semi ou até na final, mas ela acabou com o nosso jogo.”

“Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar para os jogos deste tamanho e não colocar uma mulher. Com todo respeito às mulheres do mundo. Eu sou casado, eu tenho a minha mãe. Desculpa se eu estou falando alguma coisa para as mulheres, mas do tamanho dela eu não acho que ela tem a capacidade de apitar um jogo desse.”

“A gente tem de levantar a cabeça, porque daqui a três dias a gente já joga outro jogo e é vida que segue.”

Depois, perguntado pelo repórter da TNT Sports em campo sobre os erros de Daiane Caroline Muniz dos Santos, ele reafirmou as questões de gênero.

“Ela errou desde quando começou o jogo. O São Paulo já começou a segurar o jogo, e ela falava que o Cleiton segurava o jogo, que eu segurava o jogo… ela não teve critério para as duas equipes. Eu acho que a Federação Paulista tem de olhar isso. Não porque o Red Bull é pequeno. O Red Bull é muito grande. E pode ter certeza que vamos fazer muita história esse ano”, finalizou.

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