Após deixar Paquistão, Irã questiona seriedade dos EUA na diplomacia

Abr 25, 2026 - 15:00
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Após deixar Paquistão, Irã questiona seriedade dos EUA na diplomacia

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste sábado (25) que ainda era preciso ver se os Estados Unidos estavam “realmente sérios” sobre a diplomacia, após concluir uma visita ao Paquistão, onde se reuniu com altos funcionários. Em uma publicação no X após deixar Islamabad, Araghchi disse ter “compartilhado da posição do Irã em relação a uma estrutura viável para o fim permanente da guerra”, mas acrescentou que “ainda é preciso ver se os Estados Unidos estão realmente sérios” na diplomacia.

O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, chegou a Islamabad na sexta-feira (24).  Neste sábado, entregou as exigências para um acordo de cessar-fogo no Oriente Médio. Segundo as fontes ouvidas pela Reuters, o chanceler iraniano, Abbas Aragchi, entregou ao Paquistão documentos com exigências e também com ressalvas de Teerã às propostas dos Estados Unidos, entretanto, o conteúdo dos documentos não foi revelados. Logo depois deixou o país.

Pouco depois de sua partida, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que Washington havia decidido não enviar funcionários a Islamabad para as negociações com o Irã. “Eu disse à minha equipe, há pouco, porque eles estavam se preparando para partir, e eu disse: ‘Não, vocês não farão um voo de 18 horas para ir até lá. Nós temos todas as cartas na mão. Eles podem nos ligar a qualquer momento que quiserem, mas vocês não farão mais voos de 18 horas para ficar sentados conversando sobre nada’”, informou a Fox News, citando as palavras do presidente em uma conversa por telefone.

Tensões em Ormuz 

As incertezas sobre a nova rodada de negociações acontecem em um momento delicado do conflito, onde Estados Unidos e Irã intensificaram as ameaças por causa do Estreito de Ormuz. Na quinta-feira (23), os militares dos Estados Unidos apreenderam outro petroleiro associado ao contrabando de petróleo iraniano, intensificando o impasse com o Irã um dia após a Guarda Revolucionária paramilitar do país ter assumido o controle de duas embarcações no crucial Estreito de Ormuz.

A ação ocorre um dia depois de o Irã ter atacado três navios cargueiros no estreito, capturando dois deles, em uma medida que intensificou sua ofensiva contra a navegação nessa via estratégica, por onde passa, em tempos de paz, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo.

O conflito já fez os preços da gasolina dispararem muito além da região e elevou o custo dos alimentos e de uma ampla gama de outros produtos. O Brent, referência internacional, ultrapassou US$ 100 por barril, marcando alta de 35% em relação aos níveis pré-guerra, mas os mercados acionários ainda parecem reagir com relativa indiferença.

Também na quinta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter ordenado à Marinha americana que “atire para matar” em qualquer embarcação que esteja instalando minas nas águas do Estreito de Ormuz, em nova escalada das tensões com o Irã na principal rota global de transporte de petróleo. Em publicação na Truth Social, Trump disse que a ordem vale para “qualquer barco, por menor que seja”, envolvido na atividade. “Não deve haver hesitação”, escreveu. O presidente também afirmou que navios-varredores de minas dos EUA já atuam na região e determinou a ampliação da operação. “Estão limpando o estreito agora. Estou ordenando que essa atividade continue, mas em um nível triplicado”, declarou.

*Com informações da Reuters, Estadão Conteúdo e AFP

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