Aliados de Tarcísio veem discurso contra Moraes na Paulista como ‘divisor de águas’

Set 7, 2025 - 18:00
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Aliados de Tarcísio veem discurso contra Moraes na Paulista como ‘divisor de águas’

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), adotou neste domingo (7) o tom mais duro até aqui contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Durante discurso no ato da oposição na Avenida Paulista, afirmou que “ninguém aguenta mais a tirania de um ministro como Alexandre de Moraes”, pediu anistia ampla aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e defendeu a volta do ex-presidente Jair Bolsonaro às urnas em 2026.

A fala foi considerada por aliados um “divisor de águas”. Pessoas próximas ao governador avaliam que o momento era o mais oportuno para um gesto mais firme em direção ao bolsonarismo e viram no discurso uma resposta ao julgamento que ocorre no STF contra Bolsonaro e outros réus acusados de tentativa de golpe. Fabio Wajngarten, ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência, classificou o posicionamento como “duríssimo” e “direto”. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho de Jair, republicou o discurso de Tarcísio em suas redes sociais.

Para setores do governo federal, no entanto, a declaração representou um ataque frontal ao Supremo. O deputado federal Lindbergh Farias disse que Tarcísio “cruzou o rubicão” ao acusar Moraes de tirania, em meio a um julgamento em andamento, o que poderia configurar coação. “Tarcísio não age como governador, mas como advogado de Bolsonaro. Quem ataca ministros e defende anistia para conspiradores não luta por liberdade: legitima o crime, sabota a Justiça e abre caminho para novos atentados contra a democracia.”

No discurso de cerca de 15 minutos, Tarcísio voltou a afirmar que Bolsonaro “é o único candidato da direita” e cobrou do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que paute a proposta de anistia. “Hugo, paute a anistia. Deixe a Casa decidir”, disse, acrescentando que a medida seria a única forma de permitir que o ex-presidente voltasse à disputa eleitoral. Ele também classificou os réus do 8 de Janeiro como “presos políticos” e disse que não há provas que liguem Bolsonaro à invasão das sedes dos Três Poderes.

Aliados lembram que, caso as críticas ao STF provoquem fissuras na relação institucional, Tarcísio ainda terá tempo para “recalcular a rota” até 2026. O próprio governador citou o exemplo da Lei da Anistia de 1979 e disse que “se o PT existe hoje é porque houve anistia”, defendendo a “conciliação” como saída política. A manifestação reuniu nomes de destaque da direita, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chorou ao relatar a rotina da família após a prisão domiciliar do ex-presidente, e o pastor Silas Malafaia, que agradeceu a atuação recente de Tarcísio em Brasília para pressionar pela anistia. Durante o discurso, a multidão respondeu ao governador com gritos de “fora, Moraes”, em um dos momentos de maior tensão do ato.

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Antes do ato na Avenida Paulista, Tarcísio se reuniu no Palácio dos Bandeirantes com Michelle Bolsonaro e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, além do senador Rogério Marinho (PL-RN). Foi a primeira reunião formal entre Tarcísio e a família Bolsonaro desde a prisão domiciliar do ex-presidente, em agosto. Aliados avaliam que a aproximação marca uma reaproximação política e consolida o governador paulista como o nome mais forte da direita caso Bolsonaro permaneça inelegível.

*Com informações de Beatriz Manfredini

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